quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A palavrinha e o palavrão

Por muito tempo durante a minha infância me foi dito que era feio falar palavrão. E eu, toda vez que fala um, disfarçava para que minha mãe não ouvisse e muito menos viesse bater em mim. Então, ao falar um palavrão, o diálogo que acontecia era mais ou menos o descrito abaixo:

Mãe: - "O que você falou aí ?!"
Eu: Nada mãe
Mãe: - "Eu ouvi, você falou um palavrão ?!"
Eu: Não mãe
Mãe: - "Eu ouvi um palavrão ?!"
Eu: Eu disse apenas paralelepípedo

E esse passou a ser o sinonimo para palavrão - paralelepípedo. Era um tal de tentar disfarçar para não apanhar que, quando eu percebi, além deu ter me viciado nessa palavra, ainda tentava viciar e policiar os outros.

Durante muito tempo levei que palavrão que se presa, tinha era que ser grande. Não precisava fazer um estrago na boca e muito menos ser daqueles que é preciso culhão para falar; mas apenas grande - paralelepípedo, inconstitucionalissimamente e por aí vai a listagem.

Ao entrar na faculdade, a cada aula, a cada conversa, a cada evento obtive contato com outras palavras. Sim, não eram palavrões; mas o fato de que eu desconhecia o seus significados me era arrasador. Isso me fez estudar para que eu pudesse aprender e compreender o significado de cada uma delas e não apenas repetir porque elas eram bonitinhas, porque eu era cult ou porque estava na moda.

Mas, no último período de faculdade, tive uma aula que me fez despertar para tentar entender o significado da palavra ética. Sei que não é um palavrão, mas a palavra ética, desde que entrei na faculdade me causou sofrimento. Afinal, a ética é geral ou singular; para um ou todos; mutável ou imutável e tantos outros questionamentos foram ficando por terra no momento em que tive uma professora que se referia ao seu filho como Geral.

Hoje, vejo a diferença entre a ética - mais precisamente entre os códigos. O de Serviço Social é grande, como um livro; já o de Jornalismo, curto e grosso. E o dos roteiristas é um frente e verso. E essa diferença me faz (mesmo que não tenha ligação direta) perceber quão diferentes somos em nossas questões éticas.




3 comentários:

Anne disse...

Esse texto me lembrou os escritos de Camilinha. E eu sou realmente fã do jeito de Camilinha nos contrar uma história. Obrigada pela narrativa! :D

Anônimo disse...

e como seria a ética da publicidade??
marcela

Báh Zorzo disse...

Gostei muito do texto, parabéns! Algo a se pensar. Diria que ética no âmbito do jornalismo é algo complexo, como disse, é curto e grosso. Mas mais curto ainda são os que rigorosamente a seguem!