quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Elefante branco e o Taj Mahal

É claro que sei apreciar as coisas boas que a civilização fez, cultivou ou construiu para que hoje pudessemos ter como referências as obras e os cultos que por eles foram criados.

Uma das obras que mais despertam o meu interesse é o Taj Mahal, construído na Índia entre 1630 e 1652, numa época onde não tinhamos o menor avanço tecnológico para auxiliar nessa construção. O que me chama atenção não é a sua construção em mármore branco e nem o tempo para ser construída, mas sim o tamanho dessa obra, num tempo em que a tecnologia era escassa e a mão de obra era pouco especializada.

Já na próxima Tailândia, o que mais me chama atenção é o culto a um tipo específico de animal, o Elefante Branco. Animal considerado raro e sagrado, caso fosse achado deveria ser dado de presente ao Rei. Porém, por ser sagrado, sua posse não auxiliava seu dono em nada a não ser aumentar os custos com os cuidados e zelo com esse tão importante animal, sem poder dele usufruir de nenhuma forma.

Em 2003, teve início no Rio de Janeiro a construção da Cidade da Música. Uma enorme obra, tão grande quanto o Taj Mahal, a ser realizada pelo nosso prefeito na época. Além da obra consumir milhões em dinheiro público e demorar anos para ficar pronta, foi pseudo entregue em 2008, para uma pseudo inauguração com partes ainda inacabadas e muito ainda a se fazer.

Minha sensação, todas as vezes, ao passar por aquela construção, é que a pessoas que a idealizou era um homem de muitas riquezas (públicas, diga-se de passagem) e que desejava deixar um marco de sua gestão para a cidade. Não por sinal, a primeira coisa que me vinha a mente quando o início da construção, era o Taj Mahal - obra tão bela e visitada por todos, desejada por muitos e que seria pública, para desfrute e deleite do povo carioca.

Porém, a gestão desse "Imperador" terminou após a derrota nas eleições, e com isso, seu sucessor acabou herdando não uma grandiosa obra, mas sim um grande elefante branco. Um monumento inacabado, que consumiu rios de dinheiro público e que até o momento não serve para nada (na verdade é um grande buraco negro que somente serve para consumir dinheiro público).

Esperamos que esse elefante branco (que na Tailândia não pode ser dado, nem doado ou vendido) seja transformado em um grande monumento de utilização pública - visto que o dinheiro público foi investido. E que, para desfrute e deleite de todos, a Cidade da Música possa ser considerada futuramente patrimônio da Humanidade e uma das maravilhas da música (ou arquitetura, ou artes) modernas.

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