quinta-feira, 28 de julho de 2011

POESIA - Marcas

E se simplesmente as marcas que temos no nosso corpo sumissem.

Você já parou pra pensar ?

De início, claro é legal não ter marcas,
uma pele lisa, bem cuidada,
Joelhos inteiros, dedos também.

O cotovelo, intacto.
Até parece que não fui criança.

E pensei .... mas ... se as marcas sumirem ?!

Se elas sumirem, sumirão também os acontecimentos,
os tombos de bicicleta, os ralados jogando bola,
as vezes que cai na rua, ou no rio.
Tudo era festa, tudo era desafio.

E me lembrarei do pior xingamento que me faziam:
- você solta pipa no ventilador.

Sumindo as marcas, somem os acidentes.
Sumindo os acidentes, somem as lembranças.

Do que vou me lembrar ?!
O que eu fazia pra aprontar ?!
Hoje, acho graça das crianças. Antes, achava graça de mim.
Mas, apagando, vou rir de que ? Do que ?

é ... pensando bem ...
Deixe minhas marcas bem aqui ...
Elas me lembram bem quem fui, quem sou e me ajudam no quem quero ser.

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