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POESIA - Outro Eu

Era manha. 
O sol começava a queimar seu rosto,
mas ele não sentia. 
Perdia a noção do quanto passou ali admirando aquele ser que ele nunca se cansa de ver. 
Não ouviu uma palavra que ela havia dito, mas parecia que todas elas tinham apenas uma direção: 
seu coração. 
Nesse breve intervalo, ela percebeu que estava sendo olhada, admirada e porque não dizer conquistada. 

Nisso, decidiu tomar uma atitude. 

O agarrou pela nuca, puxou os cabelos e aproximou os dois,
Olhos, bocas, narizes, testa, mãos, pés, peitos e cabelos, 
todos próximos uns dos outros,a ponto de ser ouvida e sentido, não só os batimentos cardíacos, bem como a ofegante respiração. 

Não diziam nada, e nada significava tudo. 

Narizes se tocaram, olhos se aproximavam, de forma que não se via nada a não ser aquela "grande bilha azul" 
As mãos deslizavam pelo rosto, os olhos congelados um no outro, minhas mãos no rosto dela, as mãos delas em meu rosto, nervosismo tomando conta ... 

Suor, saliva, lagrima, choro, alegria, suor, beijo, saliva, choro, desejo, emoção, alegria, beijo, molhados, enfim ... olhos se fechavam, olhos se fechando, tudo se aproxima. 




Ele abriu os olhos,

tinha esquecido a janela do ônibus aberta e a chuva molhava seu rosto. 
Ele chegara ao seu destino e não havia ninguém ao seu redor.

Comentários

Anônimo disse…
Mais que perfeita essa poesia. Ela é tão linda, que até arrepiei! Tá de parabéns!
Rayssa Silva disse…
Perdi o folego...As palavras são capazes de transmitir o que sentimos e o que temos dentro do nosso coração.As vezes não conseguimos verbalizar esses sentimentos,mais eis que surge um poeta que fala por nós.

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