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Com o X, se faz marcas ...

Era com o X que ele marcava os últimos dias do calendário. Dezembro, mês esperado, mês desejado. Finalmente ele entraria de férias e poderia estar junto com os amigos brincando, pulando, jogando bola e aprontando, claro, como toda criança deve ser ....

Férias, momentos desejados, esperado e comemorados ... E essas ele não marcava com X, nem com Y e muito menos com o Z. Ele não queria marcar, pelo contrário, desejava que não fosse acabar e aproveitava até se cansar.

Mas como toda criança, ele brinca, se machuca, cai, levanta, senta e anda, corre e pula. Se quebra, se rasga, se corta, se fere, opera, engessa e assim tudo vira uma grande festa.

O tempo passa e ele se senta, um dia, como qualquer outro. Um sol, um por do sol, momentos eternizados na memória, que outrora gravava números e telefones, agora só grava imagens que em breve vão estar apagadas.

E, o dourado do sol reluz, conduz, brilha nas marcas ... Mas dessa vez, não as marcas do calendário, mas as marcas da vida. Marcas essas que ele faz questão de guardar e de contar para tios e netos, avôs e colegas como surgiram e de onde vieram. Se não são medalhas, são apenas marcas, que rendem boas histórias e lembranças, guardadas na memória - a mesma que um dia pouco se importou em marcar quanto tempo faltava para a infância acabar.

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