Pular para o conteúdo principal

O choro da Casa do Saber


Ninguém mais quer saber da Casa do Saber. Nem ela mesma quer saber de si. Depois de tantas decepções, ilusões e falsas promessas; ela, cansada de tudo isso, partiu para uma empreitada. Cansada, e sabendo que ninguém mais se interessa pelo seu Saber, preferiu se ausêntar, ignorar as buscas e procuras de alguns poucos, que insistem em aprender e decidiu que a partir de hoje, ela só irá dar (transmitir ou ensinar) aquilo que as pessoas buscarem.


Mas isso parece não incomodar aqueles que hoje habitam a tão importante Casa do Saber. Talvez eles nem mesmo saibam que ela possui esse nome. E como ela decidiu não mais ficar correndo atrás de ninguém e nem anúnciando aos quatro ventos os seus conhecimentos, daqui a pouco o único nome pelo qual ela será conhecida é de Universidade/Faculdade.


E isso muito me entristece. Se antigamente, mesmo com todas as dificuldades recorrentes, o conhecimento era passado oralmente; hoje, com todas as facilidades possíveis, o conhecimento fica limitado apenas as pessoas que buscam.


Na contramão de tudo isso, vemos cada vez mais oficinas abrirem as portas. Utilizando o antigo nome da Casa do Saber, esses pontos se proliferam como insetos, ou pragas e vão infestando nossa sociedade de locais onde deveriamos estudar, mas na verdade aprendemos a operar equipamentos.


A Casa do Saber chorou. Chorou de ver que ninguém se interessa mais em saber ... E frustrada com aqueles que não mais desejam saber, decidiu fechar as portas, se esconder, viver a reclusão, junto as montanhas, ao ermitão, reaprendendo a ensinar ...

Comentários

fefa4ever disse…
muito bom o blog, espero que continue escrevendo nele

Postagens mais visitadas deste blog

POESIA - Como o clima

Olhe pela janelaVeja o tempo lá fora Viu ? É assim que está meu coração
Olhe o que cai do céu É água ? Lágrimas Geradas pela dor e desilusão
O cinza ? Solidão e dureza As mentiras que me contava Ofuscava o brilho do sol
Porém, De tudo tenho uma certeza a água lava as nuvens passam e meu céu voltará a brilhar
Cuide bem de ti que cuidarei bem do meu jardim.

POESIA - Mulher na Luta

Ela lavava a alma e trazia a calma,
necessária para viver;
ela lavava o corpo e trazia no rosto,
as marcas do que é ser;
era uma lutadora, sonhadora que,
nunca deixou de viver;
era doce e meiga, brava e possessa
não havia injustiça em seu ser.

Cidade ou campo, deserto ou floresta,
ela sabia se virar.
Claro ou escuro, dia ou noite,
e do açoite ela fugiu.
Era escrava branca e sinhá preta,
a inversão que nunca existiu

Mas meu peito chorou e partiu
quando sua boca se abriu,
e me disse que ia para a luta
me deixando um beijo e um 
eterno adeus.

POESIA - Eu senti

Eu senti
senti o baque, o choque, o golpe, 
a mão pesada, o não, o gole,
a dor, o desamor.

Eu senti,
tive paciência, 
mesmo na ausência,
e por obediência, 
esperei e não resisti.

Eu senti,
fome, frio, dor.
Abandono, desamor.
Eu senti.

Mas é preciso reerguer, 
olhar pra frente e viver
caminhar e não esquecer,
para novamente não sofrer.

Eu senti,
uma mão a me levantar,
e esperança renovar,
poder novamente voar.

Eu senti.
Senti que era hora. 
Ontem hoje, senão agora.
Não dá para esperar. 
Algo que já não demora

Eu senti.
E parti.