quarta-feira, 23 de abril de 2008

Da relação quente pela tela fria a relação fria dos quentes corpos ...

Bom ...

Primeiro queria pedir desculpas, mas aqui no Rio está sendo um feriadão (que começou na sexta e está terminando hoje - e aí é complicado postar com outras coisas para fazer ...)
A segunda coisa é que infelizmente não sabia sobre o que escrever, não sabia até agora ...

A algum tempo atrás partilhei com minha amiga Camilinha sobre como as relações sociais estão mudando. Estamos num tempo em que não mais vejo crianças na rua, subindo em árvores e/ou se machucando. Pensei que no início eram culpas dos pais, mas percebi que não ...
As crianças sumiram do meu condomínio. As festas também. Antigamente fazíamos as chamadas festas americanas (nunca soube o porque desse nome) mas eram festas em que cada um levava uma coisa para comer/ beber para a festa e aí
tod@s partilhavamos tudo e dançavamos ao som de toca-fitas.
Hoje, feriado, não vejo nem uma criança brincando, muito menos subindo em árvore para pegar alguma fruta, ou simplesmente se esconder para alguma brincadeira...

No meu tempo, era difícil nos ver parados em casa, o tempo todo queríamos ficar na rua. Hoje, sou o contrário, se saio, logo quero voltar e por que ?! Porque uma considerável parcela dos meus amigos se encontram aqui (ou melhor, eu os encontro somente por aqui - já que são de estados distantes)

Isso me levou repensar o que ouvi na volta da viagem de Teresina para Fortaleza. Não me lembro quem disse, mas durante uma conversa no ônibus, alguém disse: "Ah ! eu fico fula quando alguém pede meu MSN lá é meu super amigo, mas quando estamos um do lado do outro, finge que nem me conheçe". É isso. A Pós-Modernidade pode não ser a grande vilã de tudo o que vem acontecendo, mas explica:
- Eu preciso separar essas pessoas. Essa infectação do planeta tem feito mal a minha amiga Terra. Esses caras estão acabando com a mata, os solos e os ares e daqui a pouco também com os mares. E já que eles acham que isso tudo é deles, vou ajuda-los a se destruírem. Para depois ficarmos só nós, eu, a Terra e mais alguns atores distantes que no momento estão sendo perseguidos...

E é isso que ocorre. As pessoas vão sendo criadas com visões individualistas.Olham só para o seu, pensam só no seu, querem só o seu. E com isso, as relações vão mudando de lugar, de papel. As brincadeiras antes realizadas nas ruas, nos quintais; hoje são feitas na internet, na lan. As relações quentes que existiam antigamente foram trocadas pelas telas frias do computador, que nos prende com a carga de coisas que podemos realizar através dele. Só fico assustado, pois somos geralmente estranhos para nossos vizinhos e muito amigos de pessoas do outro lado do planeta.

8 comentários:

amo berengandão disse...

Verdade.
As pessoas querem ter um msn lotado de "amigos", querem ter um orkut atupetado só p dizer q conhece...+ se cruzam no shopping e fingem q n sabem quem é... e alguns ainda vem com papo q ficou c vergonha de falar... como assim? se conversam coisas tão intimas... são tão densos na frente do comp... e pq não pessoalmente... adoro ter amigos, conviver... mas, tenho me sentido como seu texto. beijos

Elisa disse...

Sabe pq as pessoas não pegam mais frutas em árvores? Como são os frangos congelados? E o leite? Sabe pq?

Pq hoje não temos mais as árvores dos vizinhos para roubar frutas. As árvores viraram condominios fechados, concreto. Tirar leite da vaca e tomar? NUNCA! Só tomamos o de caixinha! Os pedaços de frango que compramos congelados, não são frangos, aquelas aves que vemos em filmes/ desenhos animados... São apenas carnes/ alimentos...

E quando vemos o leite sair da vaca, o frango inteiro indo para a panela.. ou aquele franginho que estava no seu quintal e que via sempre, que de alguma forma tinha uma "relação" com o animalzinho, virar almoço... Você cria uma certa rejeição. O tal "Nojo". Isso pq somos individualistas, centrados, não sabemos mais direito a origem certa/ detalhada das coisas.. E se sabemos é apenas por livros, internet....

Não tocamos mais nas coisas,. Vemos por meio de um tela, chegamos aos lugares pelo teclado, não escrevemos amis cartas. Mas depoimentos no Orkut, e-mails.

Será que os sentimentos também se tornaram virtuais? As amizades distantes, não pela distância em si,mas pelo comodismos de se estar em casa ou no trabalho e manter contato com aquela pessoa que gosta?

A melhor sensação que tem é você pegar chuva, sentir o cheiro da terra molhada e os seus pés sobre ela. Hoje, talvez, seja uma das coisas mais raras (e ao mesmo tempo simples) de se fazer.

Já pensava isso há um tempo, mas esse seu texto me fez refletir mais. Fazer uma auto-critica, reflexão.

Isso é apenas uma parte d que penso, parei por aqui, senão escrevo até amanhã! hahaha Você com certeza ia se cansar! hahaha =P


Um grande Beijo
Boa semana para todos nós!

camila chaves disse...

=~

poxa, tay... teu texto me fez sentir um apertozinho no coração e fez também meus olhos ficarem mais úmidos...

ainda hoje lia um scrap engraçadinho de paula/GO que dizia que havia passado o feriado em uma cachoeira. tomei um susto e já ia lhe perguntar de que feriado ela estava falando... havia esquecido que tinha passado por um feriado.

daí, falava a ela que parei para pensar e acho que tenho mais contato com meus amigos de longe do que com o pessoal que está aqui. não é que eu não me permita, mas é que o que parece é que ninguém hoje mais se permite.

passo quase todo o meu tempo livre, aqui... em frente a essa tela fria, compartilhando com vocês. compartilhando idéias, pensamentos, alegrias, algumas tristezas...

mas me conforta muito saber que toda essa relação é pautada em um cronômetro regressivo que é travado e começa a contar assim que nos abraçamos ao sair em despedida de algum encontro estudantil...

sinto muita vontade de abraçar vocês o tempo todo e, não sei se por utopia, algo me faz pensar que se estivéssemos todos um perto do outro, faríamos muitas festinhas dessas em que cada pessoa léva uma coisinha para comer e alguém léva um filme que nem sempre é bom.

mas do que importa se o filme é bom ou não? a única intenção daquele encontro é falar sobre mil coisas e rir a valer. hahaha.

sinto saudade das crianças correndo nas ruas, das crianças subindo em árvores e muros. na verdade sinto falta de mim correndo, mas não me furto de fazer isso sempre que posso entre umm corredor de aula e outro. rs. sinto saudade das minhas casquinhas de machucado... coçando já em se cicatrizar... nhá... sinto saudade de muitas coisas, e esse teu texto só fez aguçar ainda mais esses sentimentos...

beijo tay... agradeço essa leitura e também à citação. calorosas conversas compartilhadas em telas frias geram bons textos e fortalecem grandes amizades. sei que isso só acontece porque logo logo vamos todos nos encontrar de novo. e estar junto é bem melhor que estar conectado. hihihi.

\o/

Juliana Baraúna disse...

Penso que a internet existe para aproximar as pessoas, pelo menos no meu caso acontece assim. Por exemplo: tenho um amigo que eu amo muito mais o nosso dia a dia não nós possibilita esse tipo de conversa e reflexão. Se não fosse por um texto em um blog eu nunca saberia que ele tinha tirado a barba e que agora estava deixando crescer, apesar dele me ligar as vezes e eu pedir atenção dele no msn. Não vamos crucificar a tecnologia, afinal não consiguimos mais viver sem orkut, msn e eu sem esse blog...rs
O que temos q evitar é a distância extrema como: ficar muito tempo sem ver um amigo, sem ir ao cinema desse com ele, conversar e refletir sobre esse e outros assuntos pessoalmente. Abaixo a distância extrema!!! ... rs ...
bj

Anônimo disse...

Adorei, o post. Tudo a ver com o mundo de hoje.
As pessoas são mais descontraidas pela internet, pq nao tem que ver a expressão do outro. Elas se sentem mais protegidas, como se o computador fizesse uam fortaleza e que a conversa que elas tiveram pela net nunca fosse lembrada. Isso esta deixando as pessoas, mais egoistas e individualistas. Temos que promover a uniao de pessoas.

Annelize Tozetto disse...

Tay, são raros os momentos em que eu consigo encontrar você. Na verdade, são sempre as converas ´pela tela fria que me deixam mais próximas de pessoas queridas: tu, paty, zé, livino, gica, camilinha, paulinha, jamile... enfim... eu só fico perto devocÊs ultimamente somente por causa dessa doideira.
Sinto um grande aperto quando os encontros demoram a acontecer... é como se parte de mim faltasse... algo que não está completo, um ciclo que ainda não voltou. Mas sempre vale a pena...
Mas não deixemos de lado o que hoje acontece: onde estão as relações face-to-face? Aquelas que mexem com a gente, que fazem nossos corações vierem parar na boca... aquelas que fazem a gente rir muito e de qualquer coisa? Onde estão às nossas crianças correndo pelas ruas, trpeando em ávore e se ralando sem reclamar?
É... eu sou de um tempo muito bom!

vinicios k. ribeiro disse...

olá tayago.

Enfim, experimento uma sensação de catárse ao ler este texto. Li novamente e tenho certeza que vou voltar a lê-lo.
As interações digitais são constantes em minhas inquietações.

o comentario de camilinha também foi maravilhoso, estava numa fase tão estranha que me esqueci de quanto foi maravilhoso conhecer todos da comunicação, e perceber que somos muitos contra os muitos que nos oprimem...enfim.


abraço

Holy Diggio Bop! disse...

Bem...
Eu vejo as coisas pelos dois lados
Ao mesmo tempo em que você fala muito do que acontece hoje em dia, existe também o outro lado. Como é legal você reencontrar pela tela fria (e nesse ponto nem é tão fria assim) uma pessoa que em um momento da sua vida você pensou "Puxa... nunca mais vou ver!". Ou então matar a saudade de conversar com aquel@ amig@ que a correria da vida não te permite sentar e tomar uma cerveja.
O ser humano tem que aprender a dosar a distância entre o virtual e o real. E não demonizar nenhum dos dois, pois são complementares.