Era uma brisa leve, suave ...
Insistia em vir, todas as tardes e beijar nossos rostos.
Passear bagunçando o cabelo das meninas.
Balançar as árvores até seus frutos cairem,
e as flores voarem aos céus, sem rumo nem prumo.
Era uma brisa leve, suave ...
Gostava de fechar os olhos,
e sentar.
Sentia a brisa passando, leve e suave,
levando tudo, palavras, raivas, pensamentos.
Nunca deixando nada para trás.
Era uma brisa leve, suave ...
Que muitas vezes significava prenúncio de chuva.
Trazia cheiro de terra molhada e momentos mágicos,
de correr por entre a brisa e debaixo de chuva,
aprontando e fazendo pirraça.
Era uma brisa leve, suave ...
Que com as construções ao redor,
foi reduzida, desviada, extinguida.
E hoje, já que não pode ser controlada,
foi impedida,
de vir nos brindar durante as tardes de verão.
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POESIA - Dor do questionador
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